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Informações sobre o líquido amniótico

30/04/2022

Dr. Cesar Roberto Camargo - CRM: 39.997

O líquido amniótico nas primeiras semanas de gestação é um filtrado de plasma materno, começando a adquirir uma composição parecida com o plasma fetal, em torno da 16ª semana. Existe um equilíbrio entre plasma fetal e líquido amniótico, provavelmente devido à difusão do mesmo através da pele. Sabe-se que a pele fetal desempenha um papel importantíssimo na regulação do líquido amniótico não somente entre a 10ª e 20ª semana, como também até o final da gestação.

Os rins fetais contribuem para a manutenção e composição do liquido amniótico. A partir da 12ª semana eles eliminam sódio e concentram uréia, alterando a composição do líquido amniótico.

O líquido amniótico deglutido pelo feto é reabsorvido no trato intestinal e chega até os rins, onde é filtrado e excretado para a cavidade amniótica, fechando o ciclo. Estes mecanismos fisiológicos citados acima, até a 18ª semana, não chegam a 10% para a formação do líquido amniótico.

Até a metade da gestação, a quantidade de líquido amniótico produzida pela urina fetal excede ligeiramente a quantidade absorvida pela deglutição fetal.

Portanto o aumento de líquido amniótico nesta idade, não é somente devido à excreção urinária, mas também da difusão transdérmica, da difusão da superfície corial da placenta, do trato gastrointestinal, do sistema respiratório fetal e do cordão umbilical.

O líquido amniótico oriundo da produção de urina fetal é da ordem de 9 ml/kg/h, ou 400 a 1200 ml/dia e do exsudato alveolar, ao redor de 600 a 900 ml/dia.

Isto é possível graças à deglutição fetal de 450 ml/dia e pela absorção através das membranas, de outros 80 ml/dia.

A produção de urina fetal é também influenciada pelo fluxo sanguíneo materno através da placenta. Entram também nesta conta, o volume intravascular materno e a osmolaridade sérica.

No terceiro trimestre, a deglutição e a formação de urina fetal são os fatores que mais contribuem na formação e volume de líquido amniótico. Sabe-se entretanto, que o mecanismo de regulação é multifatorial. Outros elementos que influenciam: o âmnio, o córion e os pulmões.

 

Avaliação ultrassonográfica do líquido amniótico

A quantidade de líquido amniótico aumenta com a idade gestacional.

A avaliação da quantidade de líquido tem que ser periódica, pois a detecção de oligodrâmnio ou polihidrâmnio é importante para avaliação do desenvolvimento da gestação e do bem estar fetal, sendo que a ultrassonografia constitui-se no melhor método para a quantificação.

Existem dois critérios principais para a quantificação do líquido amniótico: critério subjetivo e critério objetivo ou de mensuração direta.

Ambos os critérios dependem da experiência do ultrassonografista, principalmente o critério subjetivo, que consiste na avaliação que compara em tempo real, ao se fazer as varreduras, a quantidade de líquido amniótico em relação ao feto e à própria cavidade uterina.

Em nossa opinião o melhor critério é o objetivo, no qual se medem os bolsões de líquido e daí têm-se uma noção exata da quantidade de líquido amniótico.

O critério objetivo mais utilizado é o método de Phelan, chamado mais comumente de ILA – índice de líquido amniótico.

 

Cálculo do ILA – Índice de Líquido Amniótico:

Divide-se o útero grávido em 4 quadrantes, utilizando-se a linha média do abdome e outra linha, transversal, que cruza a linha mediana na altura da cicatriz umbilical.

A seguir, mede-se o diâmetro antero-posterior (vertical), do maior bolsão de líquido amniótico de cada quadrante. Em seguida, somam-se os valores medidos em cada quadrante.

A somas destes valores, consiste no ILA – índice de líquido amniótico.

 

Os valores de referência são os seguintes:
Normal: de 8 a 25 cm.
Diminuído (oligodrâmnio): menos de 8 cm.
Aumentado (polihidrâmnio): acima de 25 cm.

 

Comentários sobre o ILA:
• Alguns autores consideram polihidrâmnio, medidas acima de 22 cm.
• Alguns autores quantificam o oligodrâmnio: 5 a 8 cm como oligodrâmnio leve e abaixo de 5 cm como oligodrâmnio severo.
• Nós consideramos oligodrâmnio, medidas abaixo de 10 cm.
• Em gestações gemelares não deve ser utilizado, já que tem valor preditivo baixo.

 

CONCLUSÃO

Concordamos com alguns autores sobre a utilização dos critérios subjetivo e objetivo associados, ou seja:
• Avaliamos subjetivamente a quantidade de líquido amniótico.
• Se a impressão for de quantidade usual, concluímos pela normalidade.
• Se a impressão for de quantidade diminuída ou aumentada, utilizamos o critério objetivo de Phelan, calculando o ILA.

Lembramos que quanto maior a experiência do ultrassonografista, mais fácil se torna este procedimento.
Além disso, a indicação de exames ultrassonográficos seriados é uma atitude muito eficiente para desfazer dúvidas quanto à normalidade ou não.

Atualização: Há alguns anos vem sendo utilizada uma outra avaliação da quantidade de líquido amniótico, utilizando-se a medição do maior bolsão de líquido amniótico, medindo-se o diâmetro antero-posterior. É mais utilizado em exames ultrassonográficos seriados, nos casos de gestações complicadas, principalmente no diagnóstico de oligodramnias.

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